Para cabeleireira, ser voluntária é retribuir ajuda recebida

Postado em Assessoria de Imprensa

Internado há quase um ano no Hospital do Idoso Zilda Arns, José Batista dos Santos, 72 anos, recebeu um tratamento diferente na última quarta-feira (9/8): teve os cabelos cortados e a barba feita por uma profissional, a cabeleireira Luiza Rodrigues de Lima, 49 anos. Para ambos, uma experiência inédita e que, ao menos para ela, deve se tornar rotineira nas enfermarias do hospital.


A cabeleireira é uma das 40 voluntárias selecionadas para atuar no Programa de Voluntariado do Hospital do Idoso e seu primeiro dia de trabalho prático coincidiu com o de uma tragédia: em 9 de agosto de 2015, seu filho Bruno, então com 19 anos, sofreu um acidente de carro que o deixou tetraplégico. Indiretamente, foi o começo da relação com o Hospital do Idoso.

“Depois de 70 dias internado na UTI de outro hospital, o Bruno foi pra casa, onde precisa da minha ajuda e do meu marido para tudo”, contou. Foi a equipe do Serviço de Atendimento Domiciliar, que tem a base dos trabalhos no hospital, que os ensinou a cuidar do jovem, fazer curativos, alimentá-lo, a trocá-lo. “Foi tanta ajuda que decidi que em algum momento iria retribuir. Quando ouvi no rádio que o Hospital do Idoso queria voluntários, mandei meu currículo na hora”, conta.

Luiza mora em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba e, antes do acidente do filho, tinha um salão de beleza perto do hospital. Ela vai prestar serviços de voluntária uma vez por semana. É uma tarefa essencial, principalmente com os internos de longo prazo. “Um novo corte de cabelo e barba bem feita contribuem para a autoestima e queremos dar essa motivação aos pacientes”, diz a coordenadora de Voluntariado, Valéria Azevedo. “Vi seu José caminhando pelo jardim do hospital há pouco, animado com o novo visual. Ter uma profissional que possa ofertar esse ânimo contribui para nosso objetivo de humanizar cada vez mais o ambiente hospitalar”, destaca.

Para colocar as tesouras em prática nas enfermarias do Hospital do Idoso, Luiza passou por uma seleção outros 470 inscritos, treinamento específico de técnicas de hieginização dos instrumentos e como evitar contaminação. “Bem diferente do meu salão. Mas já estou pegando a prática”, fala.

Nos dias que não está no voluntariado, ela se divide entre os cuidados com o filho, um pequeno ateliê de costura e o trabalho como cabeleireira.