Principal recurso japonês na área de saúde é o ser humano

Postado em Assessoria de Imprensa

Engana-se quem pensa que, no Japão, a tecnologia dura seja a principal ferramenta aplicada na área de saúde. No campo materno-infantil, é a educação em saúde da população que prevalece. “A gestação e o parto são vistos como processos naturais e fisiológicos no ciclo vital da mulher. Por isso, o acolhimento, o envolvimento comunitário dos usuários dos serviços e a educação em saúde são os primeiros recursos adotados”, explicou Júnia Aparecida Laia da Mata, enfermeira obstetra.
Ela integra a equipe do Instituto de Ensino e Pesquisa, da Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba (IEP/Feaes) e foi bolsista da Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão), no fim do ano passado.
O uso de práticas integrativas de cuidado no parto e baseadas nas evidências científicas, aliado às políticas públicas materno-infantis japonesas tem repercutido nos indicadores de saúde. O parto natural é a primeira escolha no atendimento, sendo a cesárea reservada às situações com real indicação.
No Japão, a taxa de cesarianas está em 19%, enquanto no Brasil é de 57% (o segundo país do mundo em número de cesáreas, de acordo com a Unicef). Após a segunda guerra mundial, em 1950, as taxas de mortalidade infantil era 60,1 por mil nascidos vivos, e a materna, 161,2 por 100 mil nascidos vivos. Menos de 70 anos depois, em 2014, no último levantamento do país, esses números foram 1,7 para a infantil e 2,7 para a materna.
Júnia observou muitas similaridades do atendimento a gestantes e parturientes feito no Japão e na Maternidade Bairro Novo. “Obtivemos na Maternidade muitos avanços na atenção ao parto, como a inserção da enfermeira obstetra no atendimento às mulheres e aos bebês, a adoção de práticas humanizadas e a melhoria da ambiência no serviço, o que é comum na realidade japonesa”, comentou a enfermeira. As clínicas para atender gestantes se assemelham a lares e o cuidado, da gestação até o pós-parto, envolve a família da mulher.
As similaridades e diferenças nos serviços de saúde entre os dois países foi tema do seminário ministrado por Júnia, no Hospital do Idoso Zilda Arns, a profissionais de várias instituições. A enfermeira ressaltou ações que podem ser adotadas no Brasil para melhorar a saúde materno- infantil.
Rodrigo Afonso Schimidt, presidente da Apaex - Associação dos Ex-Bolsistas Brasil-Japão do Paraná, que coopera com Jica, destacou que o objetivo de cada ex-bolsista é contribuir com a sociedade, multiplicando o aprendizado obtido no Japão.
Pétala Montanari, participou do seminário e gostou do que aprendeu. “Aquele país, mesmo depois da destruição pela guerra, foi reconstruído com organização, métodos simples, porém, eficazes em saúde pública, como a prevenção em saúde pela educação”, registrou.
Um dos exemplos que lhe chamou a atenção foi o atendimento a crianças, na mesma sala, por enfermeira, psicólogo, pediatra, nutricionista, dentista e outros especialistas. Assim, no mesmo dia, tem-se avaliação completa do bebê.

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