Idoso sai da UTI para animar família e outros pacientes

Postado em Assessoria de Imprensa

Sob as árvores do bosque do Hospital do Idoso Zilda Arns, Joaquim Barbosa Santos, 86 anos, reuniu a família, nesta sexta-feira (20), para tirar música de sua bandola, instrumento que aprendeu a tocar ainda na infância.  Internado há 16 dias na UTI do hospital, por insuficiência respiratória, teve momentos de alegria que o fizeram esquecer seu estado debilitado. “Hoje vou dormir melhor”, disse risonho, de volta ao leito.
Esta é a segunda vez que o hospital é cenário para a música de Joaquim, a primeira foi na inauguração do prédio, há cinco anos. “Naquele dia, viemos todos do coral. Meu marido com a bandola e outros, com violão e sanfona, e os cantores”, contou Terezinha Cândido Costa Santos, há 62 anos casada com Joaquim. Os dois participam do grupo musical Raiz do Passado, no Bairro Novo, há 25 anos.
O casal teve oito filhos e seis deles participaram da seresta improvisada no meio da tarde. A atividade faz parte da filosofia de humanização do atendimento da Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba, Feaes, que administra o hospital do idoso.
Emoção
Depois de cantar e dedilhar a bandola, com os filhos, mulher e noras, Joaquim percorreu os corredores das enfermarias e a UTI, tirando sorrisos com sua música. “Animei a turma. Eles podem ver que estou tocando mesmo doente. A cabeça não perde o tino. O coração está cansado de viver, mas o velho aqui é teimoso”, brincou.
A reunião foi solicitada pelo paciente, que estava com muita saudade de tocar o instrumento e de seus familiares. “Vai ajudar o enfrentamento da doença. É extremamente importante ter essa atividade. Ele é um paciente muito emotivo”, disse Tayna Nayara Nunes, psicóloga do hospital.
A alegria não estava só no olhar concentrado de Joaquim para as cordas da bandola, comprada em 1977, mas no rosto de todos seus familiares que puderam vê-lo e compartilhar os minutos de convivência, juntos. “É muito bom estar aqui e ver meu pai alegre”, disse Manoel, o filho mais velho.
Para tirar o paciente do leito e levá-lo de cadeira de rodas até o bosque, Tayna precisou de ajuda. Acompanharam Joaquim, as fisioterapeutas Ana Cláudia Albini Barbosa e Priscila Wischneski Matiskei. “Ações como esta só podemos fazer com a ajuda de todos que trabalham na UTI e todos ficam satisfeitos em ver a alegria do paciente”, explicou Tayna. “É o que faz nosso trabalho valer a pena”, comentou de passagem um enfermeiro.
Atividades semelhantes são feitas com outros pacientes, seguindo os cuidados para ajudar na recuperação. Nesta sexta-feira (28/04), Joaquim recebeu alta e voltou para casa.